Inspiração do momento: Saramago

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar";
"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne e sangra todo dia";
"Para temperamentos nostálgicos, em geral quebradiços, pouco flexíveis, viver sozinho é um duríssimo castigo";
"Dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos, confessamos?"
"Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos e sem responsabilidade, talvez, não devamos existir."
"Nós estamos todos cegos. Cegos da razão. A razão não se comporta racionalmente, o que é uma forma de cegueira."


Quem tenho comido:

Quem tenho comido:
O Teatro Mágico- "Eu acho que tenho certeza daquilo que me conforma, daquilo que quero entender e não acomodar com o que incomoda..."

O paradigma

Dostoiévski, com o intenso e agonizante livro "Crime e Castigo"

O amor eterno

Mombojó- "Não quero ter você em mim, nem me esquentar. Não quero te sentir..."

O delicioso Almodóvar, com "Mulheres à beira de um ataque de nervos": porque a identificação foi inevitável.

Darren Aronofsky, o gênio criador do sem-precedentes "Requiém para um sonho".

Julian Schnabel que também nos faz sentir impotentes em "O escafandro e a borboleta"

Frida- A sublime arte a despeito da dor

"De todas as maneiras que há de amar, nós já nos amamos. Com todas as palavras feitas pra sangrar, já nos cortamos..."

[...]"Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei
Ela falou: - Você tem medo.
Aí eu disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que não devia
Nunca ser dito por ninguém
Ela me disse: - Eu não sei mais o que eu
sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê."
(Ainda é cedo- Legião Urbana)



Nesse momento não sei o que pensar direito, as palavras embaralham-se em minha mente já entorpecida pelo sono, no entanto sei que preciso escrever antes que amanhã eu acorde e já não sinta nada. Incrível essa minha tendência a olvidar teus defeitos, teus erros, tuas omissões e só lembrar das coisas boas, mas dizem que é assim mesmo, que a mente trata de esquecer, bloquear as coisas que te trazem demasiada dor para se proteger. Mas agora essa dor está tão latente em mim que necessito externar.
Por que não me deixas? Se nunca poderemos ficar juntos, se há tantas impossibilidades, tantas dúvidas, tantas incertezas, se já nem gostas de mim, por que não me deixas partir? Solta as unhas do meu coração de uma vez, deixa-me florescer novamente, porque, sempre que começo a brotar, tu me ceifas com uma nova declaração de amor, fazendo-me voltar. E, sempre que volto, me matas com tua indiferença.
Teu sentimento por mim está sendo egoísta e só tem me machucado. Mereço mais que isso. Merecemos. Eu te quero por inteiro, tua essência, teus suspiros, teus olhares, fundir-me a ti, mas me parece que há um muro de Alexandria separando nossos corpos, já dizia Caio Fernando. O 'nós' agora só sobrevive do passado, das lembranças, do que poderia ter sido e não foi, mas ainda sobrevive. Em mim, ao menos. Mas e em ti o que resta de mim, de nós?
Então, diz-me, o que devo fazer agora? Seguir em frente ou esperar que o homem por quem, um dia, me apaixonei retorne? Olhai o sinal, ficou verde...




*Título: trecho da música "De todas as maneiras", de Chico Buarque.

"E não compensa entrar na dança depois que a música parou..."

"Agora eu sei o que quero enxergar
Esse colorido não devia mais me enganar
Porque a cor deforma
Quando a luz vem a brilhar
E assim seu olho começo a decifrar

Dai-me outra cor
Que não seja a do seu olhar
Dai-me outro amor
Que venha pra me perpetuar
Dai-me outra cor
Que não tenha o que eu quero enxergar
Dai-me uma dor
Que sirva para eu acordar
Dai-me outra cor, dai-me um amor, dai-me uma dor"[...]

(Duas cores- Mombojó)




Olhava-o dolorosamente, com a ânsia de o absorver, de sugar sua existência para si, de roubar suas palavras, seus olhares, sua respiração. Tentava, em vão, tatuar em sua retina aquele último e fulgaz momento em que os dois falavam do sentimento que um dia os unira e que, agora, inevitavelmente, os separava.
Via os minutos que lhes restavam escorrerem entre os dedos, entre uma hesitação e outra, cada vez mais rápido e, com eles, uma parte de si mesma também se esvaía. Prendia a respiração para conter o já escasso ar em seus pulmões, baixava os olhos para não ser dragada pelos dele, apertava as mãos acreditando que aquela dor se sobreporia à da sua alma sendo rasgada.
Ele insistia em dizer que aquele não era o único jeito de fazerem as coisas, mas ela se limitava a passar as mãos pelo rosto, conformada, e repetir "você nunca vai entender, você nunca vai entender". De fato, ele nunca entenderia, assim como ela também não. Era como se as palavras que soavam fortes e determinadas para ele, lhe soassem estranhas, sem sentido, embaralhadas pelo mesmo vendaval que agora lhe agitava o âmago.
Ela sabia que, se continuassem daquele jeito, fingindo que nada acontecera, que estava tudo superado, com a sensação de "cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim", nunca conseguiria viver plenamente, ser de outra pessoa novamente, pois suas vontades, desejos e sonhos pertenceriam sempre a ele, como os dele pertencem a outrém.
Agora, ela queria ser ela sozinha, queria ser sua, se pertencer e mesmo que isso doesse, ela sabia que não seria tão lancinante quanto a culpa e o sofrimento que, invariavelmente, adviriam dessa reaproximação. Não havia mais espaço para prisões na vida dela, mesmo que as grades fossem o amor.



*Título: trecho da música Perfeita Simetria, do Engenheiros do Hawaii.

"Deixe-se acreditar, nada vai ter acontecer, tudo pode ser...Esse é o reino da alegria!"



Meus queridos e amados leitores, não sei se vocês ainda lembram de mim já que faz muito tempo que não venho dar o ar de minha graça aqui, entretanto vocês têm que compreender que até pessoas como eu merecem férias. O post de hoje é especial, post de aniversário. Hoje, completo 19 aninhos. É, eu sei que tenho cara de 15...todo mundo fala isso! =P
Pois é, meus amores, confesso que também não gosto de aniversários, porque eles convergem, inevitavelmente, à auto-análise e confesso que meus atos não foram dos melhores durante esses tempos. Mas, hoje, posso afirmar com precisão, que sou uma pessoa melhor, não o ideal...ah, mas ninguém é perfeito, ora! Eu também não quero ser a nova Madre Tereza mesmo!
Meus conceitos mudaram, minha visão amadureceu, meus dias se tornaram mais felizes e encontrei Deus. E, com Ele, percebi que a felicidade pela qual eu tanto anseio depende muito mais de como vivo do que de ter alguém pra compartilhar essa vida. Sei que nem tudo foram flores, mas tive bons companheiros que me ajudaram a passar pelas pedras, por isso meus sinceros agradecimentos à Ariana (a minha melhor metade), ao Pê (o amigo para toda a vida), ao Welton (que retornou para me ajudar e agora se afasta para permanecer ajudando), ao Antonio (que sempre "me salva da selva") e a Deus que é a quem devo tudo o que tenho e sou.
Sorri, sofri, morri, renasci, cresci...vivi. Não é isso que importa? E que venha mais esse ano o qual, tenho certeza, será de grandes vitórias e alegrias sem fim!
Até a próxima, meus antropofágicos!





*Título: trecho da música Deixe-se acreditar, do Mombojó.

"Eu acho que tenho certeza daquilo que eu quero agora, daquilo que mando embora..."

Ê, minhas delicinhas, final de ano chegando novamente e eu aqui, trabalhando igual a uma condenada enquanto meus políticos lindos estão gastando todo o meu já escasso dinheirinho e ainda rezando em cima que é pra abençoar e atrair mais! Ô glória!
É, queridos leitores que me devoram (uuuuiiii!), a situação é periclitante mesmo! Sei que tenho andado ausente, mas é que, no momento, estou impossibilitada de aumentar ou manter minha vida social - não que ela fosse muito significativa antes-, limitando minhas relações sociais a duas pessoas de sanidade, classe e humor dúbios: a afetadíssima e amadíssima Ariana, a qual vocês, provavelmente, já leram lá no Primaveras de Setembro; e ao amor da minha vida, Pê, que está sem blog no momento, mas que pode ser visto na imagem abaixo, demonstrando todo o seu amor por mim (adivinhem de quem é o soutien?). É, vejam só até onde a decadência de uma pessoa pode chegar...é triste, eu sei! Só posso pedir que orem por mim...
Enfim, passei aqui só para exercitar um pouquinho meu lado Dr. House, o qual estava um tanto inativo, e dizer que espero que esse ano vá embora logo, porque, caso contrário, é capaz de piorar ainda mais. Deixo um beijo a todos vocês, boas festas e aproveitem o restinho de 2009, porque ano que vem é ano de enganação eleição, gente, logo a única coisa que não teremos é alegria.
Beijos, crianças, e que venha 2010!







*Título: trecho da música Criado mudo, de O Teatro Mágico.

"E essa abstinência uma hora vai passar..."

Talvez amor

Se você já sentiu, deve se lembrar do ímpeto, do súbito momento em que o vento acariciou seu peito de forma agressiva e invasiva e quando o gosto do beijo desejado molhou seus lábios a esperar por sentir.
Quase como uma dor rasgante bradou e ecoou obscessivamente por todo o corpo a se contorcer. Nossa, que amor! Amor? É issó? Ah! Talvez amor...
Se você quis o amor para si, então fez um pedido silencioso, porém incisivo, que o talvez amor fosse eterno.
Se o talvez amor assim o fosse, o céu não teria rasgado e derramado todas as lágrimas que colheu. Mesmo assim, o sertão do coração não floresceu até o dia em que o talvez amor morreu.

Por Rebecca Correa


Uma esperançosa resposta ao triste post da minha Flor, aqui e, por que não, a mim mesma.




*Título: trecho da música Na sua estante, da Pitty.

"Mentiras sinceras me interessam..."

Tarde de domindo ensolarada. Ariana, Helen e eu indo a um show de uma dessas bandas cover do Los Hermanos, um vez que esses filhosdaputa nos deixaram na mão. Paramos para comprar algumas coisas na bombonière quando Ariana diz:
- Compra uma carteira de Black aí, Jéssica.
- Ei, tu tá doida, é? Pensa que eu tenho dinheiro pra essas coisas?
E eis que, nesse momento, ao escutar o diálogo, um mendigo todo sujo, rasgado e exalando a cachaça vira para mim e, indignado, fala:
- Pooooooooorra, feia e pobre, assim não dá, minha filha.
[Close na minha cara de "what the fuck?"]
- Sim, minha filha, porque você me desculpe, mas você é feeeeeeeiiiiiaaaa - continuou o destruidor de auto estima.
Porra, ele podia, no mínimo, ter sido sutil ou guardado a opinião dele para si em vez de gritar aos quatro cantos de Belém. Eu já não sabia se ria ou chorava quando ele partiu pro ataque novamente, dessa vez com a Helen:
- Tu também é bem feinha, viu?
- Sim...agora pronto...eu mereço!
- Sim, eu tenho culpa de tu ser feia?
- Ah tá, e o senhor é bonito pra caramba, viu? - retruca ela.
- Ah, eu sou quase um Tom Cruise.
Já se pode imaginar a reação que a metáfora provocou na gente, não é? Mas se tudo terminasse aí, com minha auto estima e a da Helen estraçalhadas, seria bom. Mas, não se contentando, após ficar analisando a Ariana da cabeça aos pés, ele parte pro golpe final:
- Égua, mas tu é bonita! Mulher graaaaaande, rapaz! Mas, sabe, acho que eu não aguentava uma mulher dessa toda, não!
E fomos embora rindo da cara da Ariana. É por isso que eu digo: ser feia tem lá suas vantagens também. Ariana que o diga...



Título: trecho da música "Maior abandonado", de Cazuza.

Estávamos meu irmão e eu assistindo a cena da novela das 8, da Globo (sim, eu sei, eu sou uma vergonha!), em que Aline Moraes, agora tetraplégica [drama mexicano detected], grita, xinga e escorraça seu namorado para fora do quarto de hospital. Indignada, retruco do lado de cá da tela:
- Putaquepariu, vai logo embora e deixa essa merda aí sozinha. Além de chata, não pode mais nem trepar mesmo, que era o principal!
E eis que os bons genes da família se manifestam em meu irmão, que, calmamente, dá sua opinião:
- É, pelo menos ela tem a boca grande, né?

"Vira, vira, vira homem, vira, vira..."


Como toda semana, na terça fui ao cinema. E eu estava lá, sentada, quieta, esperando o filme começar, até que um cara que era exatamente meu número entra, pára, sorri para mim e senta na cadeira da frente. Ponto pra mim, penso. Trinta segundos depois, uma menina aproveitável [recalque mode on] entra, pára, sorri para mim e senta na cadeira da frente, ao lado dele. Puta que pariu, penso.
Ah, mas também o que eu estava esperando? Que um cara gato daquele fosse assistir sozinho a um filme que tem como título "Te amarei para sempre"? Ah, fala sério, no mínimo, até eu gostaria mais de mulher do que ele! Foi então que percebi que só havia casais na sala, à exceção de mim e de duas meninas, mas vai saber se eram só amigas mesmo? Eu que não ponho minha mão no fogo...
Na quarta fui ao cinema novamente, mas dessa vez assisi a "Matadores de vampiras lésbicas" (é, eu sei, cheguei ao fundo do poço!), afinal, se eu queria ganhar um carinha no cinema, que ele pelo menos gostasse de mulher, porra! Entro, lugar lotado de homens de todos os tipos, cores e sabores (ui!). É hoje, penso. Mas, como a lei de Murphy não falha, foi só a luz apagar para as borboletas começarem a se manifestar pela sala...
Ah, gente, fala sério, quem me conhece ou, ao menos, me lê sabe que não sou nenhum um pouquinho homofóbica, nadinha mesmo, mas putaquepariu, hoje em dia as coisas ficaram difíceis para nós, mulheres: os já poucos homens deixaram de ser opção e viraram concorrência! Não tem Santo Antonio que dê jeito! Sabe, isso só ratifica minha teoria de que deve fazer uns 20 anos que não nasce mais homem em Belém. Ah, assim também é foda...ou melhor, não vai ser foda!¬¬'



*Título: trecho da música O vira, dos Secos & Molhados.

"Last night she said 'Oh, Baby, I feel so down'..."

Hoje me senti sozinha, solitária. Sensação ingrata essa, de não dividir nada, de não ter ninguém para dividir nada, de não ter, sequer, nada para dividir com ninguém.
Sinto minha síndrome de final de ano aproximar-se novamente, lentamente, sadicamente triunfante. Pensei que esse ano eu não sentiria isso, que os momentos felizes seriam perenes, no entanto me parece que algumas coisas demoram um pouco a mudar e aquela sensação latente e recorrente de "o que fiz de útil esse ano para que minha existência fosse justificada?" dá sinais de que se arrastará por mais um longo final de ano.

...

Alguém tem um Lexotan sobrando aí?




*Título: trecho da música Last nite, do The Strokes.

"You win, you lose, It's a chance you have to take with love..."

Sou um ser humano movido por extremos, até o muito para mim não é o bastante. Tenho sede de infinito. Eu sou toda exageros e excessos: de amor, de dor, de vida. Intensidades sem as quais não consigo conceber a vida.
A densidade de minha existência me é pesada demais, um fardo e uma bênção entrelaçados por encontros fulgazes e desencontros duradouros. Talvez por isso minha vida sempre gire em torno de paixões, porque tenho necessidade de pessoas, busco-as pois sozinha minha caminhada se torna ainda mais árdua. Ser é sempre bem mais fácil se o somos com alguém.
Até hoje, minhas paixões não foram tão bem sucedidas quanto eu gostaria, quanto eu precisava, mas eu vivi a todas do modo mais intenso possível, jogando-me de cada precipício e isso dá lirismo à existência. Infelizmente, a dor costuma ser mais poética que o amor e eu juro que preferia ser árida a ter tanta poesia triste tatuada pelo corpo.
Mas algumas coisas a gente não escolhe, apenas vive da melhor forma possível. Aquele clichê dito por pseudo-libertários de que devemos nos arrepender do que não fizemos é tudo balela, pretensão disfarçada de desprendimento, pois todos nós, quanto seres livres, temos arrependimentos e escondê-los é tentar ocultar, também, o caráter falho de todos nós.
Hipérbole que sou, cultivo jardins de arrependimentos - sem deixar que os espinhos me machuquem mais, é claro - mas penso terem sido inevitáveis, mesmo hoje: "se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual", já dizia Gessinger...
Sabe, no fim, creio que o que preciso mesmo é aprender a existir sozinha, a ser eu sozinha, a me bastar. Será isso possível?




*Título: trecho da música It's a hard life, do Queen.

Change

Mudança vindo aí. Por enquanto, o blog vai ficar meio desarrumado, a exemplo do meu quarto, mas assim que eu aprender como colocar um template e customizá-lo, volto a pôr as coisas no lugar. Se alguém aí souber e quiser ajudar essa analfabeta tecnológica aqui, fique à vontade!
Até lá, as luzes ficarão todas acesas aqui, como disse Jaynha.
Beijo, povo!

"Esse flerte é um flerte fatal..."

Ah, eu queria era conseguir resistir a essa atração fulminante que me puxa, inevitavelmente, em tua direção, que me draga para o fundo dos teus olhos de pôr-do-sol adornados por cílios que bailam, altivos, sempre que um sorriso surge.
Ninguém precisa me dizer aquilo que já sei desde que perdi as palavras frente a ti pela primeira vez: não vai acontecer! Por isso, sempre que saio de casa é decidida a afastar-me, ser menos condescendente, menos atenta a tuas palavras, mas como se basta um sorriso teu para frustar qualquer tentiva de resistência?
Quisera eu não te achar tão irritantemente perfeito. Ah, seria tão mais fácil se tu fosses como os outros idiotas, assim eu teria um motivo (se é que ainda é necessário mais um além daqueles todos que já existem) para deixar pra lá e não te notar tanto, não te querer tanto.
Mas a verdade é que basta que tu apareças para que nada mais tenha tanta importância assim e que tudo que eu queira é escutar tua voz, beber cada palavra tua e perder-me em devaneios. Sim, devaneios, porque, eu sei, não posso ter nada teu além disso: estás em um caminho só de ida. Ah, eu tô é mesmo procurando problema para minha vida, isso é sofrimento na certa, cara, não há nem possibilidade.
Sabe, eu sempre achei meus amores platônicos os mais poéticos, justamente por ficarem apenas dentro de mim, por me pertencerem, sem poderem ser frustrados ou desiludidos. Intensos, hiperbólicos, impossíveis. Então, que fique assim: tu aí sem, sequer, imaginar que despertou em mim um sentimento lindo e eu cá, com minhas fantasias milimetricamente elaboradas a cada toque de nossas mãos e a cada sorriso compartilhado. Pena eu ter chegado tão tarde...


"Nossa, Jéssica, um dia desses tu estavas sofrendo pelo traste e agora já tá toda derretida por outro. Eu queria ter um coração tão vagabundo quanto o teu!" (Ariana)

"Jéssica- Ah, mas eu sei que em algum lugar por aí existe um homem como ele e que nós ficaremos juntos...
Jonathan- Justamente! Você encontrará e ficará com outro cara como ele, mas nunca com ele! Tira isso da cabeça, afasta essa idéia enquanto é tempo."




*Título: trecho da música Flerte fatal, do IRA!.

"A menina esperava seu homem chegar e olhava todo dia a linha do mar..."

Olá, meus amores, eis que depois de uma semana sofreeeeendo (Rá!) à beira de uma piscina maravilhosa, estou de volta à realidade. Uma pena, confesso, porque, se eu pudesse, ficaria era um ano naquele paraíso.
Essa viagem foi especial para mim, pois veio em uma boa hora e me afastou do passado inevitável, dos problemas inevitáveis e, principalmente das pessoas inevitáveis que insistiam em rondar meu caminho. E, o melhor, ainda ganhei para isso.
Durante essa semana, conheci pessoas muito ruins que me fizeram mal e, por pouco, não acabaram com minha alegria, mas acho que até já acostumei, porque, depois de algumas lágrimas, não é que já não sobrara mais nada ruim dentro de mim?
Mas o que me marcou mesmo foram as pessoas boas as quais restituiram, mesmo que inconscientemente, minha fé no ser humano. Um agradecimento especial a ti, meu docinho, que, com tua amizade, fez-me perceber que as pessoas talvez não sejam tão ruins assim.
Beijos a todos e, daqui a uns dias, posto algo mais decente! Por enquanto, morram de inveja aí embaixo! =P




*Título: trecho da música Amor de Muito, de Chico Science & Nação Zumbi.

"Quando a gente voa distante e só, tão distante e só..."

Muitas pessoas novas passeando por aqui, olhando o cardápio, provando os sabores e ainda deixando gorjeta, que delícia!!! E tudo isso exatamente no momento em que estou meio ausente do blog. Ah, mas tem bastante coisa aí pra trás pra degustar!
Bem, sei que tenho andando longe, mas é que a falta de acontecimentos, de criatividade e de paciência têm me impedido de escrever, mesmo sabendo que tem gente nova lendo meus desencontros.
Ah, mas é que o momento é mesmo de calmaria, de ausências, de espera: calmaria depois da tempestade que bagunçou tudo; ausência de pessoas e sentimentos; e espera pela minha vez de ser feliz também. Mas eu não tenho pressa, "eu sei que chegará minha vez".
Vim aqui dizer que vou passar uma semana ainda mais ausente, mas espero voltar com muitas novidades pra contar. Vou viajar para fazer um treinamento para meu novo trabalho (falei pra vocês que passei no IBGE, né?). Pois é, vai ser um trenamento muito pesado, sabe...hotel bacana, à beira da praia, com pessoas engraçadas, diárias polpudas...nossa que vida difícil, tô até pensando em desistir!rs
Enfim, vim só avisar, fazer inveja e dizer que, durante a viagem, vou tentar escrever um post pra colocar aqui quando chegar!;)
Saudades de vocês e, aos novos antropofágicos, sejam bem-vindos!







*Título: trecho da música Ela disse assim, de Cordel do Fogo Encantado.

"Maybe I don't really want to know how your garden grows..."



"All that I've learned is all I'm taking now with me,
Never will I wait for too long again.
You can take all old roses with you cuz
I've got new gardens I must grow."
[You don't know me- S.O.J.A]





Why do you still visit this? Why do you still read me? You really like what I write, don't you? You're my most assiduous reader, almost a fan! Well, I'm sorry, but I've to say that if you're looking for sad posts, declarations of love or I-miss-you texts, you're spending your time! There's nothing for you here. Or better...you're the nothing of here!
It's time to forget me. You made your choices, didn't you? So, live them without regrets, cause there's no way to come back, dear. No way! I forgave you and the stupid things you did to me, because after all, you're just a tormented, unhappy and lonely guy, but It doesn't mean I forgot these things. Now, get out of my life, my way and my mind!


You're not welcome.







Título: trecho da música Live forever, de Oasis.

"Como se fosse a Primavera..."

E na rádio toca:

"Não vou negar
Sofri demais quando você me deu o fora
Mas o tempo passa
O mundo gira, o mundo é uma bola

Pintei o meu cabelo, me valorizei
Entrei na academia, eu malhei, malhei
Dei a volta por cima e hoje te mostrei meu novo namorado

Pensou que eu ia chorar por você,
Que eu ia morrer de amor,
Que eu ia pedir pra voltar,
ah, ah, ah, ah, ah, ah"[...]


E eis que Ariana se manifesta:
- Olhaaaaaa, é a música da Jéssicaaaaaaa!
- Aham...¬¬° - claaaaro, podia ser "Olhos nos olhos" do Chico, mas é um forró escroto, que legal, reflito.
- Sabe o que eu acho, amiga?
- O quê, Ariana? - putaquepariu, lá vem merda, penso.
- Sabe, acho que essa "ah, ah, ah, ah" que ela dá no final é uma risada de sarcasmo pro cara! Tu não acha, não?
- Porra, Ariana, vai te catar! Tu estás querendo analisar a psiqué de um ser humano que canta "mas o mundo gira, o mundo é uma BOLA"??? Ahhhhh, vai à merda, porra...
- kkkkkkkkkkkk





*Título: Trecho da música Como se fosse a primavera, de Chico Buarque.

"Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro..."


"I open my eyes, each morning I rise
to find the truth I know that is there.
I can't tell you how, you can't tell me why -
But living my life is all that I care.
The burden can be, sometimes, bigger than me,
Sometimes, stronger than me, and hard to bear.
But I couldn't care less, no stress cuz
Jah put me here."
[Open my eyes- S.O.J.A.]



A vida é uma coisa estranha. Muitas coisas mudam, algumas pessoas passam dolorosamente, outras chegam deliciosamente, os sentimentos se transformam, as experiências mudam. E essa falta total de controle que temos sobre nossa própria vida é o que a torna tão estranha assim.
Todos sabem que sou muito racional, penso sempre, peso as coisas, analiso pós e contras e tudo mais. Infelizmente, essa razão toda só dura o tempo de eu me apaixonar por alguém, aí, queridos, torno-me a pessoa mais passional do mundo e por isso sempre acabava com uma caixa de chocolates nas mãos, chorando com Los hermanos e xingando o mais novo babaca.
Ah, mas daí resolvi que não queria mais isso para mim, não, porque a reabilitação era longa e dolorosa demais e só me deixava cada vez mais amarga. Então, percebi que eu já tinha esgotado a minha cota de sofrimento de, pelo menos, três encarnações, logo já passava da hora de eu mudar, mudar radicalmente e foi o que fiz.
Creio que nunca me senti como me sinto agora. Sei lá, as coisas foram se metamorfoseando à revelia e agora me sinto como se fosse outra pessoa: feliz, bonita, realizada e com uma puta auto-estima. Sabe, é como se, finalmente, as coisas começassem a dar certo na minha vida: tô fazendo um curso bacana (apesar de que vocês sempre me verão reclamando dele, não tenham dúvida!rs), passei num concurso que vai me dar uma graninha legal, perdi 8kg no último mês (e pretendo perder mais uns 5 até o final desse mês! Sim, eu sou ambiciosa!rs) e todas as minhas crises existenciais e blá blá blá se foram. Cara, quando a gente pensa que as coisas só tendem a piorar, eis que tudo se modifica e um braço, repentinamente, estica-se pra te resgatar do poço.
Por isso, digo a todos vocês que andam tristes, deprimidos ou escutando tecno brega que tudo na vida passa, que nenhuma dor eterna e que nenhuma paixão fracassada dura para sempre, por mais forte que tenha sido. Sei que, por vários motivos, às vezes nos sentimos sem força para continuar, solitários pra cacete e sem perspectiva alguma de melhora, mas basta que esperemos e tenhamos fé que tudo começa a se transfigurar! Desistam, não, porque ainda há muuuuiiiita coisa a ser vivida! E olhem, experiência própria, viu?



"Sim, já é outra viagem e o meu coração selvagem
Tem essa pressa de viver
Meu bem, mas quando a vida nos violentar
Pediremos ao bom Deus que nos ajude
Falaremos para a vida: 'Vida, pisa devagar meu coração cuidado é frágil;
Meu coração é como vidro, como um beijo de novela'
Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão
O meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver
E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza
E arriscar tudo de novo com paixão
Andar caminho errado pela simples alegria de ser"
[Coração Selvagem- Belchior]



PS. Pow, acho que vou escrever um livro de auto-engano auto-ajuda e faturar mais que o Cury!




*Título: trecho da música
Sujeito de Sorte, de Belchior.


"Família, família, papai, mamãe, titia..."

No carro:
- Não pai, agora que tem dois carros em casa eu tenho logo que tirar minha carteira, porque o Senhor sabe como são as coisas, né? Já tem até gente querendo me comer dar carona lá na UFPA...
E eis que meu irmão se manifesta:
- Ahhhhhhh, não, que droga! Agora vou ter que decorar aquele comercial pra ir falar na Record também: "Minha irmã teve politraumatismo, quebrou os dois braços, as duas pernas, quebrou o maxilar, afundou o tórax, afundou a cabeça..."
- kkkkkkkkkkkkkkkk! Filhodumaégua!

[Definitivamente, meu irmão puxou meu senso de humor...]




*Título: trecho da música Família, do Titãs.

Da série: Jus rapidinhas

- "Crime instantâneo é aquele que, quando o cara vai morrer, ele morre mesmo."
(Prof. Dr. Raimundo Raiol)

[Nossa, como pude viver 18 anos sem saber disso? Aiai, o que seria da minha medíocre existência sem o Direito Penal...?¬¬°]

"Malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal..."

"E agora, josé?
A festa acabou
A luz apagou,
O povo sumiu,
A noite esfriou,
E agora, josé?
E agora, você?
Você que é sem nome,
Que zomba dos outros,
Você que faz versos,
Que ama, protesta?
E agora, josé?

Está sem mulher,
Está sem carinho,
Está sem discurso,
Já não pode beber,
Já não pode fumar,
Cuspir já não pode,
A noite esfriou,
O dia não veio,
O bonde não veio,
O riso não veio
Não veio a utopia
E tudo acabou
E tudo fugiu
E tudo mofou,
E agora, josé?

[...]

Se você gritasse,
Se você gemesse,
Se você tocasse
A valsa vienense,
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse...
Mas você não morre,
Você é duro, josé!


Sozinho no escuro
Qual bicho-do-mato,
Sem teogonia,
Sem parede nua
Para se encostar,
Sem cavalo preto
Que fuja a galope,
Você marcha, josé!
José, para onde?"[...]

("E agora, josé?"- Carlos Drummond de Andrade)


Acho que esse poema do Drummond deveria virar hino, igual ao Pra não dizer que não falei das flores: e agora, José Sarney? "Você marcha, josé! José, para onde?"...espero que pro fogo do inferno pra fazer companhia ao ACM que está se sentindo sozinho, tadinho!!!




*Tíulo: trecho de Homenagem ao malandro, de Chico Buarque.

Selinhos

Ê povo, eis que chego menos pessimista que alguns dias atrás. Desculpem-me aí pelo desabafo, mas é que estava precisando mesmo. Bem, sei que alguns de vocês - pouquíssimos, é claro - vão se perguntar se já melhorei de saúde e a resposta é não, mas, em breve, espero estar em plena forma novamente.
Enfim, não foi pra isso que vim aqui e sim para, finalmente, colocar os dois selos que ganhei de duas pessoas que, acreditem se quiser, me lêem! É, eu sei, não sei como eles aguentam!rs

O primeiro é um selinho do Jeff, do qual tenho muitíssimo orgulho, afinal saiu da mesma sala que eu e mostrou-se um escritor ardoroso e consciente:


Obrigada, querido, e que teu blog fique cada vez melhor, se é que isso é possível!

O segundo selo veio acompanhado de um meme que eu creio ser o mais criativo até hoje. Ele veio da Ariana, como não poderia deixar de ser!


As regrinhas são simples:
1.colocar o selo no seu blog
2. indicar 10 blogs que você adore.
3.informar os premiados.
4.dizer 5 coisas que você adore.






~~>> Gosto da sensação de completude e da incrível paz que Deus me proporciona. Gosto dos artistas deprimidos, viciados e megalomaníacos por serem os mais intensos. Gosto do livro que me faz tremer e ter aquela sensação de profunda ausência quando termino. Eu gosto de me apaixonar e, por causa disso, tornar-me a pessoa mais otimista do mundo, mesmo sob as piores circuntâncias. Finalizando, eu gosto de ter a capacidade de renascer muitas e muitas e muitas vezes...



Indico esse meme a todos que o queiram responder! Sintam-se em casa...

"No rosto pintou-se o pálido..."

Cheguei agora. Era pra eu ter ido à Igreja, mas no caminho passei mal, daí fui direto para o hospital. Ah, eu odeio hospitais, odeio cheiro de hospital, odeio camas de hospital e odeio, principalmente, aquela cara treinada que os médico têm para dar más notícias. Mas acho que precisarei me acostumar, porque, segundo ele, terei que fazer muitos exames além do Eletrocardiograma de hoje, a fim de ter um prognóstico exato.
Vim pra casa, sentada ao lado de uma senhora já idosa e, pela primeira vez, eu soube o que é precisar conversar com alguém e não ter ninguém, absolutamente ninguém. E eu, que tantas vezes fui sarcástica com velhinhas sorridentes desconhecidas, ganhei um abraço e um "vai ficar tudo bem" de uma delas. A vida é mesmo um conto machadiano...
Medo. Medo atroz, cruel, impiedoso. Medo solitário, incompartilhável. Estou sozinha. Preferi não trazer/ser mais um problema para as já atormentadas almas dessa casa antes de ter certeza do que tenho (ou não tenho, eu espero!), por isso calei e engoli o choro ao ver minha mãe, mas a abracei e disse baixinho no ouvido dela: eu te amo.
Sei que vocês nem sabem exatamente do que estou falando, mas esse blog é minha única válvula de escape e precisava que alguém soubesse. Ah, mas eu tenho fé de que tudo não vai passar de susto e que aquele médico só estivesse de mau humor mesmo.rs
E eu sigo repetindo, incessantemente, "vai ficar tudo bem...vai ficar tudo bem..."




*Título: trecho da música Rosa dos Ventos, de Chico Buarque.

Da série: Jus rapidinhas

PM- Não, Jéssica, eu fico preocupado contigo aqui nessa UFPA, porque a gente já sai tarde. Sabe como é, se o cara fosse só te roubar...
[SÓ roubar? E isso é pouco???]
Jéssica- Pode crer...
PM- O problema é que eles sempre têm segundas intenções,entende? Por exemplo, se o cara for te roubar, tu assim que é toda gostosinha, ele vai querer fazer alguma coisa a mais. Outro exemplo, se ele vier me roubar e descobrir que eu sou policial, vai querer me matar...
[Tá bom, tá bom, não precisa apelar, já percebi que tu queres me dar carona...o problema é pra onde!¬¬°]
Jéssica- É, e se ele vier me roubar e descobrir que eu sou estudante de Direito, vai fugir com medo de eu o assaltar...
(Silêncio...)

"Chupando drops de anis..."

E eis que estou eu, voltando da escravidão Universidade em um ônibus que mais parecia um pau-de-arara de tão lotado, com pessoas se espremendo e gritando palavrões uns para os outros. GraçasaZeus, eu ainda consegui pegar um lugar vazio e, felizmente, nenhuma velhinha sorridente apareceu pra eu ter que exercitar meu lado Ruth, uma vez que a Raquel está temporariamente desativada. Em pé, ao lado da minha cadeira, estava um cara que, se não fosse a situação ridiculamente hilária na qual nos meteríamos, passaria despercebido.
Absorta em elocubrações e cansada até os ossos, eu quase dormia até que...PLEC! Sinto algo e, quando abro os olhos, vejo algo inacreditável: e não é que a menta com a qual o cara se entretia caiu em cima da minha mão? PQP! E nem era Halls, acreditam???
Cara, eu não conseguia dizer nada, até porque não sobrava lá muito oxigênio para diálogo, uma vez que eu estava tendo espasmos de tanto rir. O cara, de tão envergonhado, pediu um milhão de desculpas e desceu do ônibus na mesma hora. Confesso que, quando minha sanidade voltou (voltou, é?), eu senti muita pena do coitado, ainda mais porque percebi que ele era beeeemmm aproveitável, logo eu poderia ter tirado proveito disso!
E vocês acreditam que, antes do coitado quase pular pela janela, ele ainda teve tempo de recolher, em questão de milésimos, a menta da minha mão e botar de novo na boca? Ecaaaa, isso que é economia! Ahhhh...o H1N1...

"Já estou ficando louco só por causa de vocêêêêê..."


Não sei se vocês, os pouquíssimo leitores que ainda lêem isso aqui, já perceberam que agora estou usando um trecho de música para cada título de post em vez de ter que usar minha limitadíssima imaginação para criar um.
Isso se deve ao fato de, além de eu ser a personificação da preguiça, também acreditar que música é uma coisa imprescindível na vida, sabe, para que aquelas paixões sejam mais arrebatadoras, as conquistas sejam mais felizes e as dores, ainda mais profundas. É como se nossos sentimentos fossem ampliados e intensificados, entende?
A minha vida, por exemplo, é cheia de trilhas sonoras, cada uma para uma fase: já foi Roxette, Zeca Baleiro, Chico Buarque, Los Hermanos, Ceumar, GRAM, Vanessa da Mata, Amy Winehouse, Engenheiros do Hawaii, Belchior, Nação Zumbi, Cordel do Fogo Encantado...ufa! O pior é que ainda tem muito mais, mas nem eu ia querer ler esse post se continuasse esrevendo sobre essas fases.
Mas, sabe, tem o lado destrutivo da música também, aquele onde tu tens certeza de que chegou ao fundo do poço, o que, muito provavelmente, foi provocado por uma desilusão amorosa: é o chamado Transtorno de Insanidade Musical.
De repente, lá na casa do seu vizinho começa a tocar "você pode encontrar muitos amores, mas ninguém vai te dar o que eu te dei. Podem até te dar algum prazer, mas posso até jurar você vai ver que ninguém vai te amar como eu te amei..." ou "você jogou fora o amor que eu te dei, O sonho que sonhei, isso não se faz. Você jogou fora a minha ilusão, a louca paixão, é tarde demais" ou ainda "Aí eu me afogo num copo de cerveja, E nela esteja minha solução, Entao eu chego em casa todo dia embriagado, Vou enfrentar o quarto e dormir com a solidão" e tu, deitado no sofá, percebe as letras das músicas e começa a se identificar tanto com elas, sabe! Canta, dança, chora...minha nossa, elas foram feitas pra ti! Cara, que gênios!!!
Pois é, meu filho, se de alguma maneira tu te identificaste com a situação acima, sinto muito, mas o que te resta é uma boa terapia intensiva de Chico Buarque, tratamento psiquiátrico ou a morte, porque tu, realmente, tá fufu! Pow, tá chateado? Com dor-de-cotovelo? Foi corneado? A fim de curtir uma deprê? Faz isso escutando Los Hermanos, ora, porque eles, sim, são expert em fazer as pessoas se matarem em tempo recorde e no melhor estilo cult, cara! Olha que show!
Então, por favor, gente, quando vocês sofrerem uma daquelas desilusões de querer cortar os pulsos, fiquem longe de pagodeiros, músicas sertanejas, Joelma e Chimbinha e afins, afinal as dores de amor passam, mas as lembraças embaraçosas (e humilhantes) ficam para sempre!
*Título: não vou colocar de onde é que é para não disseminar a praga.

"Sei que ela pode ser mil, mas não existe outra igual..."

Falar sobre ela é uma coisa difícil, complexa, pois ela mesma é assim, cheia de vírgulas, exclamações e reticências e nunca com um ponto final. Mas eu não me importo em tentar, afinal se ela reclamar eu não vou ligar mesmo!
Ela é como uma esfinge, pedindo pra ser desvendada, descoberta, caso contrário te devora, ou melhor, não te devora, aí, cara, cê dança! E acredite, dentre as muitas palavras que ela conhece, delicadeza e eufemismo não são duas delas, mas, sabe, isso nem é ruim! Quisera eu saber dizer não com tanta veemência...
Ela é parte essencial da minha vida, a parte sonhadora de mim. E por causa dessa inalienabilidade de nossas existências, é impossível evitar as aventuras e desventuras, como visitas desastrosas a templos Hare Krisna com direito à comida(?) vegetariana de aspecto dúbio (pleonasmo?), saraus realizados em lugares não muito confiáveis, festas com pessoas que nem conhecemos, shows de reggae apinhados de gente - e fumaça, diga-se de passagem -, caminhadas de 1km às 4 da manhã, entre muitas outras.
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- Aiiiiii, caramba, esqueci meu celular lá e agora? Se a mamãe ligar e algum daqueles chapados atender eu tô ferrada!
- Liga do meu celular pra ver se o Gringo atende!
Triiiiimmmmmmmm, trimmmmmmmm, trimmmmmmm...
- Ai, ai, ai, tá vibrando, tá vibrandoooooo! Acho que eu não esqueci lá, não.
- E tá onde então?
- Num lugar quentiiiiiiiinho...
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkk!
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Ela nunca tinha se apaixonado de verdade por ninguém, por isso me achava maluca por já ter tido tantas desilusões. Mas aí ele chegou com seu aparelho nos dentes, chamou-a para um passeio lindo, mas soltou sua mão no meio do caminho e deixou-a caminhando sozinha. Mesmo assim, ela não guarda rancores ou raiva, apenas esperança e lembranças boas daqueles poucos instantes. Ela é muito melhor que eu...
Ela não consegue me largar. Costuma chegar em casa às 9h, deitar na rede e ficar me olhando dormir na cama, até que eu, de alguma forma, me sinto incomodada, acordo e..."puta que pariu, tu já estás aqui? Égua, me deixa em paz, demônio!". Ela ri, não liga, sabe que eu sou mal humorada mesmo, pula na minha cama e era uma vez o meu lindo sonho com o Amarante. Mas fazer o quê? A intimidade é uma desgraça mesmo...
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- Égua, amiga, a gente tem que fazer alguma coisa pra arranjar um homem que preste!
- Poxa, é mesmo, tô cansada desses cafajestes...
- Peraí! Já sei! Alô, por favor, é da Mãe Delamare? Sim? Sabe o que é, é que eu gostaria de saber se vocês fazem trabalho pra emagrecer e tal...
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkk!
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Costumo dizer que ela é como o menininho do Fantástico Mundo de Bob, porque quando começa a devanear, sai de perto! Ela odeia aquele meu meio sorriso de ironia latente e sempe solta um "o que é, porra?" toda vez que eu faço a minha cara de sarcasmo. Assistir filme com ela é promessa de riso certo, porque ela sempre acha um personagem pra dizer "olha, o que que tu tá fazendo aí, Jéssica?". Eu sou o Jim Carrie em "Sim, senhor!", o Jude Law em "Closer" e a Scarlet Johanson em "Vicky Cristina Barcelona" e em "Ele não está tão a fim de você", além de muitos outros que agora não lembro!
Muitas brigas e discussões já aconteceram, mas nunca duraram muito tempo, porque ninguém resiste a um "vamos rachar uma guloseima?" ou a um "bora comer chocolate?". Ela é daquele tipo que diz "eu te avisei!", mas que logo em seguida dá um abraço, o ombro pra chorar, ajuda a xingar o cara e ainda toma satisfações com ele! Coitado daquele travesseiro que chutamos, pisamos, furamos e cuspimos para não fazermos isso com nossos respectivos desafetos...
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- Ahhhhh, amigaaaaa, não dorme, bora conversar! Tu sabes que quando eu fico bêbada eu quero ficar falando, falando, falando...
- É...e como eu sei! Agora, porra, cala a boca e me deixa dormir, merda!
- Ahhhhh nãooooooo! Poxa, mas conversar é tão legal, eu gosto tanto de conversar e blá bá blá blá blá blá blá blá...
- ZZZZZZZzzzzzZzzzZZzzzzZZZZZZZ
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Ela diz que eu esquizofrenizo a alegria, mas o que ela não percebe é que minha esquizofrenia nunca é completa se ela não está perto, pois quando ela se vai, minha melhor parte vai com ela. Ela também se culpa por não ter impedido que eu me apaixonasse por ele, porque, intuitivamente, ela já sabbia o que ia acontecer, entretanto se esquece de que sou o ser mais teimoso da terra e que ela só seria culpada se não me consolasse agora e não dissesse "rapaz, tu és muito mais gostosa que ela!".
E eis que, por fim, ela crê que me perdeu, só porque eu escolhi um caminho diferente do dela para seguir, mas como é que eu posso deixá-la se "algumas pessoas se conhecem desde sempre", como diria Amélie Poulain. Minha primavera, o caminho que agora sigo só me faz te amar ainda mais e perceber o quanto és cara para mim, "cause I, I wait on you, cause you wait on me, so I wait on you".
Minha flor, volta logo para mim, porque preciso de ti para ficar completa. Amo-te.




*Título: trecho de Ela faz cinema, de Chico Buarque.

"A gente quer ver horizonte distante..."

"Today is gonna be the day
That they're gonna throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you gotta do
I don't believe that anybody
Feels the way I do about you now"
("Wonderwall"- Oasis)

A dor é grande, o sentimento de humilhação também. Quando a notícia chegou eu já esperava, já pressentia, entretanto, a despeito disso, eu chorei, ali, na frente de todo mundo, sem pudores ou vergonha, afinal quem nunca chorou por ter se enganado? Foi um choro doído, sofrido, arrependido, sangrado, mas que me lavou a alma da culpa que me fizeram sentir. No final, eu não era culpada de nada mesmo, foi tudo milimetricamente planejado por eles...
Ah, fazer o quê, né? A vida tem dessas coisas que é pra provar que não estamos no controle de nada. Se eu queria dizer algo a ele? Bem, sim, muitas coisas, mas acho que crianças também lêem esse blog! Então, o principal seria: "gostei de verdade de ti, por isso te confiei aquelas chaves, não precisava ter me ferido tanto só para as devolver. Juro que não precisava, cara! O meu sofrimento é grande e as lágrimas, amargamente abundantes, mas a minha esperança é que não durem muito. No fim, tu eras só mais um mesmo, a quarta e última tragicomédia dessa peça Shakespeareana mal escrita que era minha vida. Era. Cuida-te. "
Com esse anátema, jogo a última pá de terra sobre meu passado e as coisas (e pessoas) ruins que passaram. Fico aqui nesse meu novo caminho, marcando-o com pedacinhos de pão que é pra eu não me perder e sentindo que, depois de tanta dor, virá, certamente, muita alegria. Só que nesse caminho...bem, nesse caminho nunca mais haverá lobos-maus para fazerem mau à Chapeuzinho... :)
E chega de chororô que amanhã tenho um concurso pra fazer (desejem-me sorte!) e na segunda já começam as aulas de crime Direito novamente e eu estou ansiosíssima! Que venha o futurooooo e as coisas tão mais lindas, como diria Jaya!



PS. Mamãe, não fica assim, você arranja outro muso!;)
PS2. Tá, Ariana, eu sei que tu me avisaste, mas eu tinha que tentar, né?;)
*Título: trecho da música Horizonte distante, de Los Hermanos.

O tempo não pára?



"Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára"


Esse ano de 2009 tem sido de grandes realizações e mudanças inimagináveis para mim e olha que ainda tem mais um semestre pela frente! Uma dessas realizações foi a minha entrada na Universidade, a qual, eu juro, não esperava, até porque meu ano no cursinho pré-vestibular foi um dos mais vagabundos relapsos da minha vida, mas, enfim, não é que eu passei?

Pois é, então esse ano foi, também, o do meu primeiro ENED (Encontro Nacional dos Estudantes de Direito), entretanto eu confesso que esperava mais, muito mais, na verdade. O que percebi - não que ainda não tivesse me tocado sobre isso - foi uma juventude que estuda Direito, supostamente, a fim de melhorar o Brasil através do poder judiciário, mas que, infelizmente, apenas ratificam essa vergonha que está aí.

Juro pra vocês que eu pensava que entraria no curso de Direito "pra fazer a diferença" (clichêzão, mas verdadeiro), mas isso se torna uma missão hercúlea quando nos deparamos com um sistema de ensino falido, professores retrógrados (e preguiçosos) e com os próprios colegas de curso que parecem ter entrado na Universidade com o propósito único de fazer um concurso, ficar rico e não ter que se preocupar com mais nada na vida...nem com o Direito, diga-se de passagem.

Não posso generalizar e dizer que todos os estudantes são assim, mas foi o que pude presenciar no encontro nacional. Vi até algumas pessoas, realmente, boas e interessadas em mudança e debatemos muito sobre o "futuro do judiciário brasileiro" - se é que ele tem um -, mas o que eu acredito é que, se realmente queremos mudanças, ela tem que começar por nós, por nossas concepções, pensamentos e ações.

O que vejo é muita gente reclamar que tudo está ruim, que o judiciário é corrupto, que as lei brasileiras são falhas e que o STF é uma piada, no entanto o que esquecemos é que, em breve, nós é que estaremos lá, por isso, se queremos mudança, por que não começar aqui enquanto é tempo? Por que não nos tornarmos bons, conscientes e incorruptíveis agora?

Hoje, eles estão lá, são juízes, procuradores e desembargadores conservadores e corruptos, mas amanhã nós é que estaremos naqueles assentos, com aquelas decisões nas mãos, então o que nos faz tão certos de que não seremos exatamente iguais? Por isso, creio que a saída para as coisas ruins e absurdas das quais tanto reclamamos somos nós mesmo e em como desenvolveremos nosso potencial, se de uma maneira produtiva para todos ou apenas para nós mesmo.

Tudo que nós, estudantes de Direito, precisamos para mudar a realidade é de um mínimo (mínimo mesmo!) de humanidade...e boa memória, é claro, a fim de lembrarmos que, um dia, também fomos estudantes ávidos por transformação!

"Eu vejo a vida melhor no futuro..."

Queridos leitores que ainda me sobraram, nesse momento, volto, definitivamente, com o Antropofágica. Eu já tinha feito até alguns posts novos, inaugurando minha nova vida, mas acabou que ela nem era tão nova assim. Foi apenas um reprise de Sessão da Tarde, um déjà vu que eu pressenti desde o início, mais um pra minha lista, eu diria!
Mas fazer o quê? Bem, então aqui se reinaugura, além do blog, a minha verdadeira vida, aquela que realmente merece ser vivida, completamente diferente de minha existência passada. Até hoje, eu apenas sobrevivia, apostava tudo, perdia sempre e o que me restava era juntar os trapinhos remanescentes para seguir com a cabeça baixa até a próxima perda. Eu era uma colcha de retalhos e cada pessoa que passava pela minha vida levava um pedaço de mim...
Agora, tudo será diferente...eu sinto isso, sabe? Estou sendo reconstruída, aos poucos e com muito esmero, mas não mais de retalhos, não mais de mágoas, mas de fé, muita fé, por isso apaguei todos os posts passados, para iniciar do zero, como se nada antes tivesse existido. Cheguei até a me arrepender de ter feito isso, pois alguns eram realmente bons [modéstia mode off], mas agora percebo que era isso que eu precisava, um anátema que me rasgasse a alma, lavasse o âmago e apagasse a memória.
Tudo de ruim ficou para trás, eu creio! E essa aqui é uma antropofágica novinha em folha, só pra vocês. Espero que gostem e que degustem cada partezinha, porque foi feita com muito carinho e, principalmente, com muita esperança.
Até, queridos antropofágicos!