25 julho, 2013

Ligações

Batidas psicodélicas
reverberam dentro dela
Vibrações distorcidas
retorcem-na
Ressonância infinita dos seus átomos
música e molécula
delirante ligação

Cromossomos e distorções
dupla hélice alucinógena
E ela já não é ela
e ela já não se cabe
Ela é a energia
de todos
e do universo





23 abril, 2013

Chão


('Los Amantes' - Nicoletta Caravia, 1963)
















"O que é vertigem? Medo de cair? Mas por que temos vertigem num mirante cercado por uma balaustra sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados."
("A insustentável leveza do ser" - Milan Kundera)



Entre tapas, topadas e trepadas foi que a paixão se perdeu. Entrepernas. Entredentes. Entrenervo.
Como veio, foi-se. Numa vertigem. Como aqueles sonhos fugazes de que se está caindo e desperta-se ao atingir o chão. Aflição e alívio no coração acelerado.
A paixão era vertigem, vontade de se atirar no abismo infinito dos teus olhos, sonho compartilhado com minha cabeça em teu peito. Acordamos. Nenhuma vertigem é eterna, nenhum sonho é real, nada cai para sempre.
E nós chegamos ao chão.

22 abril, 2013

08 junho, 2012

"E os espinhos são pra quem pensa em enganar a flor..."


"Eu tenho pouco amor, mas o pouco é alegria 
Eu tenho muito amor, não escondo a tempestade 
A vontade, a vaidade 
Simplicidade mora no meu coração 
Eu tenho procurado amor, mas a rua é covardia 
Eu falo tanto amor, minha língua nem saliva 
A maldade, a liberdade 
Amar a vida não é traição"
("Tempestade" - Fino Coletivo)

"Mas fica, meu amor 
Quem sabe um dia
Por descuido ou poesia 
Você goste de ficar"
("Fica" - Chico Buarque)


Seca. Nada em mim cresce, nenhum sentimento floresce, nenhum amor desabrocha. A terra, quando muito maltratada, se esgota, mirra, definha. Terra roxa convertida em sertão pela mão de quem não cuidou: nômades sugando a vida e partindo.
E das lágrimas derramadas por entre as frestas do solo rachado, fustigado pelo calor das paixões impossíveis, brotam cactos inertes, tristes e sozinhos. Espinhos rasgando a terra e tomando o lugar das flores. E quem, me diga você, preferirá cactos a cerejeiras?
Mas até os cactos, filhos da esterilidade e da exaustão, tem seu feitiço, sua docilidade, sua quase-poesia e, vez ou outra, florescem. E onde só havia seca e morte surge a sutil beleza, tímida tentativa de encantar algum transeunte eventual e encontrar alguém que queira ficar, assim, só por ficar.
E se as flores não forem o bastante pra que alguém decida finalmente permanecer, digo que, se porventura, um moço barbudo qualquer tiver paciência e jeitinho, verá que dentro desse cacto estéril, lá no fundo, correndo por entre as veias e vias, há vida.
Então a seca não será mais tão difícil assim e o sol escaldante não passará de um estrelinha lá longe no céu esquentando nossos dias de mãos entrelaçadas, respirações sincronizadas e sonhos compartilhados.
Mas há de se ter muito cuidado, carinho e atenção, seu moço, pois, frutos da dor e da desilusão que são, nos cactos até as flores tem espinhos. Assim, só pra se precisar, afastar quem quiser arrancá-lo.




*Título: trecho da música "Prato de flores", de Nação Zumbi.

10 março, 2012

"Um dia desses, num desses encontros casuais..."

"Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Enquanto eles se batem
Dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia
Eu não tenho nada
antes de você ser eu sou
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
E só tô beijando o rosto de quem dá valor
Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés"
(Dê um rolê - Novos Baianos)



Deitada no chão, a menina apoia os pés na parede e começar a pensar, divagar, transcender. Como é estranho estar com o coração assim, vazio. Nunca antes ela se sentira desse jeito, sempre houve alguém ou a falta de alguém ou ainda a procura por alguém. Mas nunca o vazio.
Agora, as preocupações são outras. É aquela dívida no banco que só cresce, o curso de direito interminável, a dieta que vira e mexe a desespera, aquela prova de concurso no dia seguinte ou ainda o maldito cigarro que ela não quer largar. Tudo. Menos o amor.
Incrível como nossas vidas tomam rumos inimagináveis, loucos, absurdos. Mas tudo nunca esteve tão tranquilo pra ela. E é uma calmaria tão grande que chega a atormentar e inquietar, sabe?
Ô doideira que é a cabeça dessa guria que já não sonha mais, só vive: um dia após o outro, risada após outra, tpm após outra, lágrima após outra. E vai vivendo, jogando o corpo no mundo e andando por todos os cantos. Todos mesmo, acredite.
E como ser esperançoso que é, espera sempre. Espera mais, espera tudo, espera além. Espera que num daqueles botecos sujos ou naquela beira de rio onde ela faz a cabeça, a tal lei natural dos encontros a faça esbarrar num moço barbudo qualquer que acenda o cigarro dela, fale de existencialismo, do vermelho do Almodóvar, divague sobre a insustentável leveza do ser, recite Vinícius, fale que seu Beatle preferido é o Paul e diga que quer mudar o mundo.
E assim, sem esperar mais nada, toque no seu violão velho um sambinha de Chico, dedique “Something” pra ela (ou um “Coração Selvagem” que seja), elogie seu olhos, fale do seu sorriso e leve-a pra casa pra que passem três dias trancados no quarto vivendo só de amor e croissants amanhecidos.
Mas, enquanto isso não acontece e a calmaria prossegue, ela continua aqui, com o coração vazio, nessa cidade quente de pessoas frias, esperando pelo dia em que encontrará o amor entre copos de cerveja, risos, devaneios e filosofias baratas. Mas até lá, a única coisa que vai preocupá-la mesmo é seu nome no SPC.





*Título: trecho da música "Pra ser sincero", de Engenheiros do Hawaii.

03 fevereiro, 2012

Manifesto da alma fosforescente (ou um brinde ao Rio de Janeiro)


“Não era fácil, porque a alma triste, medrosa, assustada escondia-se no fundo das entranhas de Tereza e tinha vergonha de se mostrar.”
("A insustentável leveza do ser" - Milan Kundera)



"No Corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana, o mar sou eu"[...]
("Paralelas" - Belchior)




Sento na cama de lençóis emaranhados, companheira nossa de tantas noites ardentes e incontáveis dramas. Ela, testemunha muda e inerte de um amor intocável, onírico, irreal. Impossível.
Ouço teus passos no corredor, tua respiração ofegante, teus gestos inquietos e até os sons inaudíveis da tua alma fazendo revolução dentro de ti, exigindo o doce, o belo, o novo. E tudo estava tão fora do lugar, tão revirado aí dentro de ti que, embora eu procurasse, já não encontrava meu lugar. Era uma confusão de pessoas, de vidas, de pensamentos, de desejos e ressentimentos que eu já nem sabia se um dia, realmente, tive um lugar aí ou se eu estava apenas perdida, ciganeando, posseira de um lugar que nunca fora meu.
Vejo tua figura entrando pelo quarto. Moreno, rosto másculo e uns olhos que me paralisavam, me dominavam. Beija-me a boca como quem me oferece um banquete, um banquete de Circe: que me sacia, me enfurece, me transforma em alguém que eu nunca fui, que eu nunca quis ser. E enquanto me beija eu penso, meu Deus, como estou perdida, como estou enfeitiçada, como eu vim parar aqui? O que eu fiz de mim que já não sou mais eu?
Penso. Penso? Penso! Meu Deus, há quanto tempo eu não fazia isso? Por quanto tempo eu fiquei assim, enfeitiçada/enlouquecida/desesperada por esses olhos de Medusa, por essas mãos de Rodin, por essa boca de trovador que só me dizia o que eu queria escutar? Não sei. Mas sei que agora penso e, nossa, como pensar é lindo, como é libertador e maravilhoso e eu não quero mais ser hipnotizada nem controlada nem iludida. Eu quero pensar: sozinha, com todos e com nenhum. Em mim. E no mundo.
Sinto, nesse momento, assim, de repente, qualquer coisa como a felicidade me invadir, me inundar e tomar conta do meu corpo, correr por minhas veias, purificar meu coração e inflar tanto a minha alma a ponto dela não caber mais dentro de mim e sair pelos poros, boca, olhos e ouvidos e se mostrar, se exibir ali pra todo mundo ver e cochichar entredentes que alma feliz é aquela, que brilhante, que linda a menina que tem o corpo dentro da alma e anda por aí sapateando e sorrindo e cantando pra toda gente e tentando puxar todas as almas das outras pessoas pra fora do corpo pra que elas também  vejam como a vida é linda e como a felicidade pode ser simples. Basta viver.
Vivo, então, por fim. E, se essa minha mente não fosse tão teimosa e complicada e tão cheia de crises existenciais, eu já teria sentado,ouvido, visto, pensado e sentido há muito mais tempo o quão simples - e delicioso - é viver assim, fosforescente.

03 novembro, 2011

"Que a chuva traga alívio imediato..."

[...]"Preta
Leva teu xale azul
De seda branca e azul
Que vai chover

A chuva nunca para de cantar
A chuva nunca para de descer

E a chuva
Com o seu sonho de água vem acesa
Pra lavar o que passou"[...]

(Preta - Cordel do Fogo Encantado)


Olho pela janela escancarada do meu quarto vazio e vejo a chuva caindo, caindo, molhando o cimento, levantando mormaço, refrescando tudo, lavando tudo, levando tudo, sem contudo invadir meu quarto. Metáfora da minha vida.
Minha vida está como esse quarto, vazio, sem ninguém, esperando a chuva lá fora me invadir, ansiando por algo que lave e leve tudo. Tudo de ruim, toda dor, todo luto, todas as ervas daninhas se fingindo rosas.
Acendo um cigarro, penso em desistir, em me conformar e abraçar o chão árido desse coração maltratado pela seca, mas no meu ouvido uma mulher de cabelos vermelhos e vestido de noiva grita incessantemente qualquer coisa como vai, caminhante, antes da noite morrer, pisa o silêncio, vai encontrar esta noite o amor, sem pagar, sem falar, a sonhar...
E por isso, e talvez só por isso, eu continue caminhando e caminhando. E enquanto essa menina cantar na minha cabeça esse mantra de guitarras elétricas, eu manterei todas as janelas da minha vida assim, escancaradas, na esperança da chuva entrar e me inundar...



*Título: Trecho da música "Alívio Imediato", dos Engenheiros do Hawaii.

20 outubro, 2011

"Amores serão sempre amáveis..."

E naquela noite tudo estava escuro, tudo estava doce, tudo estava quente. A presença dele me incomodava, inquietava-me da maneira como sempre fez, despertava em mim o que eu achava estar há muito esquecido. Não estava.
Bastou que as palavras relegadas apenas ao pensamento invadissem nossas bocas e saíssem carregadas de saudosismo para que a barreira que nos impusemos sumisse, assim, simplesmente como se nunca tivesse existido.
E foram olhos, bocas, mãos, as minhas, as dele, as nossas. Os pensamentos se embaralhavam junto às línguas inquietas procurando por sabores do passado e, de repente, eu tinnha 16 anos novamente e nada mais importava e nenhuma preocupação existia e tudo que eu queria eram aqueles olhos de perdição, aquele gosto na minha boca e aquelas mãos ferventes em mim.
A sensação de não ter defeitos, de ser a mulher mais bonita, mais desejada do mundo, da entrega total, sem vergonha, sem pudor, com furor de um rio represado: foi assim que me senti por dois anos e agora, depois de tanto tempo, ele conseguiu me fazer sentir de novo. E, por um momento, penso nessa incrível capacidade dele de me ver assim, sem defeitos, voluptuosa, quando os outros só conseguiam ver minhas imperfeições e me pedir pra mudar. Talvez por isso eu o tenha guardado por tanto tempo dentro de mim, sem conseguir nunca extirpá-lo por completo.
Mas, como eu dizia, naquela noite tudo estava escuro, tudo estava doce, tudo estava quente, inclusive nós dois, e mesmo que por alguns fugazes momentos, foi bom ser Simone de Beauvoir novamente.





*Título: Trecho da música "Futuros Amantes", de Chico Buarque.

02 setembro, 2011

"E essa dor que sara faz viver e acordar pra mim..."

"Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão
- Dá tua mão
- Olha pra mim
- Não faz assim
- Não vai lá não


Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir


Já te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar


Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo um salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão"


('As vitrines'- Chico Buarque)


Ele vem, senta ao meu lado. Eu falo sobre amor, respeito, consciência, nós dois. Ele balança a cabeça e ri, apenas ri e vez ou outra faz uma piadinha. Mas ele ri de mim ou de nós? Eu também deveria rir, esse último ano foi realmente uma grande piada. Piada de mau gosto. De palavras fingidas, de choro fingido, de arrependimento fingido, de amor fingido.
Eu olho pra ele e penso o quanto a gente já foi bonito, o quanto a gente foi feliz e penso em como as coisas ficaram daquele jeito. E choro. De tristeza, de arrependimento, de mágoa, de raiva. E talvez de amor. Mas ele não vê: nem as lágrimas nem os sentimentos. Eu, ali, invisível, apagada, sentada ao lado do homem que apenas balança a cabeça e às vezes ri.
Enxugo as lágrimas, acendo o oitavo cigarro. Você tem que parar de fumar, ele diz. Claro, porque você me fez sofrer o diabo e chorar como uma carpideira, mas está preocupadíssimo que o câncer me mate. Vai se foder, eu penso. Mas só penso. Como penso em abraçar, beijar, fazer amor com ele e depois me agasalhar no corpo dele como fazíamos antes e dizer pra esquecermos tudo e fugirmos juntos. E recomeçar. Mas pra quê, se o problema não é o lugar, mas a falta de amor dele? Então só penso.
Ele chora, deita no meu colo e chora, me abraça e chora, me beija e chora. E eu? Eu acendo o nono cigarro, penso neles dois juntos, na traição, nas mentiras que ele me diz e que diz pra ela e pra elas e pra mais algumas e pra todas e que já não me comovem mais. Eu sinto muito, eu sinto muito, mas eu não sinto nada...
Ele não me deixa ir, empurro-o e vou e ele não vê, mas vou doendo, chorando e querendo voltar. E volto. E ele já não está. E toda nossa história poderia ser resumida naquela imagem: quando eu precisei, ele não estava lá. Acendo o décimo cigarro, vou embora e dou por encerrada a temporada de choro. Se ele preferiu suas ilusões ao meu amor, quem sabe ele não fez a escolha certa? E fim.





*Título: Trecho da música "Faaca", do Mombojó.

19 junho, 2011

"Nada no lugar. Let it be, deixe estar..."

Ela olhou para o céu, viu as estrelas e pensou que tudo em sua vida sempre estivera fora de lugar. Estivera? Estivera é o que foi e não é mais. Então tá, tudo na vida dela sempre está fora do lugar, bagunçado, deslocado. Mas isso nunca fora um grande problema. Agora sim, nunca fora, mas nesse momento é.
O problema é que a menina sente como se ela própria estivesse fora do lugar, perdida numa eterna noite suja, vagando, tentando achar o seu caminho, mas sempre retornando pro seu não-lugar.
Então, ela começa a questionar se, realmente, sua vida está fora de lugar ou apenas não existe um lugar pra sua vida nesse mundo louco. E ela já viu, viveu e sentiu tanta coisa e já achou tantos quase-lugares que às vezes bate uma dorzinha aguda no peito e um cansaço nos olhos lacrimejantes de tanto ciganear por aí.
Às vezes, a pequena sente que caminha, caminha, mas não sai do lugar. Às vezes, ela vive a vida como um constante dèja vu, sem vontade, porque, no final, tudo vai se repetir. Às vezes, ela só queria se encaixar. Zelig somos nós.
Talvez o mundo não tenha sido feito pra ela. Ou ela pro mundo. Ao perceber isso, a menina olha pra si mesma e sente medo. E, no momento, é a única coisa que ela consegue sentir. Mas só às vezes, ela pensa, só às vezes.



*Título: trecho da música "A passeio", do Porcas Borboletas.

22 maio, 2011

Nota de uma estudante de humanas.

"E eu?E eu, hein? E eu hein, pensava eu? E eu? O que é que vai acontecer comigo? Eu vou ser atirado na estrada, como um casco, uma garrafa velha? É bom eu saber disso, pra quando alguém ficar angelical pra cima de moi! Eu sabia, eu comecei a perceber, ela não me ama mais. Ela parou ontem, ou foi anteontem? Ou trás anteontem? Quando foi que ela parou de me amar? Ela parou de me amar igual a um relógio cuco que para assim de repente. Ela parou de me amar! Ela parou de me amar.[...]
A que horas, minha senhora, a que horas que a senhora parou de me amar e começou a amar fulano de tal? “ Bem, eu tava andando pela rua, fazendo umas comprinhas de tarde, quando mais ou menos as três e quarenta e cinco do afternoon...do pomeriggio, sei lá, eu...assim tipo de repente, parei de te amar. Parei! E comecei a amar fulano de tal, é...parei de te amar”.
Ela parou de me amar. Ela parou de me amar. As tres y cuarenta y cinco de la tarde, ela parou, parou de me amar.Eu vi a boca silenciosa de batom ondulando no ar dizendo: “Eu não te amo mais. I dont love you anymore, honey”. E eu? E eu? And me? What’s going to happen with me? What’s going to be done with me? “I don’t know baby. I don’t know. Fuck you!”"

(Eu sei que vou te amar - Arnaldo Jabor)

Nunca fui boa em matemática. Talvez por isso eu não entenda como essa imensa equação de amor com tantos parênteses e colchetes e chaves e expoentes gigantescos é igual a zero. Ou talvez eu tenha me multiplicado pelo número errado.
Há de se saber que todo número multiplicado por zero dá zero.

06 abril, 2011

Os Sobreviventes?



[...]"Ele não tem preço
Nem vontade
Ele não tem culpa
Nem falsidade
Ele não sabe me amar
Ele não tem jogo
Nem saudade
Ele não tem fogo
Nem muita idade
Ele não sabe me amar
Ele não saberá

Mas então seu amor não é meu
Nem eu o seu
Pois então que será meu amado
Amador?

Se eles não têm pose
Nem maldade
Eles não têm culpa
Nessa cidade
Eles não sabem amar
Coisas da vida."

('Ela x Ele na Cidade sem Fim' - Vanessa da Mata)


Vim aqui escrever sobre você, sobre nós, sobre mim, na verdade, porque todo esse blog, apesar de tantas paixões, só teve uma protagonista até agora. O resto, coadjuvantes. De uma história longa e cheia de clichês, que mais parece plágio barato de Caio Abreu.
Queria escrever sobre esse fim, mas já foram tantos fins que esse mais me parece um começo. Mas também já foram tantos começos que isso já não me parece mais é nada. Então é isso que me impede de escrever sobre nós? O Déjà vu?  Ou seria esse cigarro entre os dedos que me mata a cada trago e tinge minhas teclas de cinza ou essa coca na mesa que só me engorda e me enche de celulites e blá blá blá ou fim da bateria desse notebook que tive que mandar pra assistência logo na primeira semana?
Não sei, a gente foi bom, mas foi ruim também. Me deu esperanças e me encheu de mágoas. Me enlouqueceu de amor e de desconfiança. Me fez pensar se era amor mesmo ou só medo de não ter alguém pra me abraçar numa noite fria e me segurar quando eu estivesse caindo de um precipício nos meus pesadelos. Ou talvez isso seja amor e eu não sei.
Eu não sei de muitas coisas. Não sei ser blasé, não sei parar de fumar, não sei falar baixo, não sei fazer poesia, não sei ser menos condescendente, não sei controlar meus sentimentos, não sei não querer jogar a calcinha pro Chico Buarque, não sei parar de mentir às vezes, não sei quando se usa in, at ou on, não sei como fingir placidez diante do desespero, não sei ficar mais que dois dias sem transar sem enlouquecer, não sei esconder os ciúmes, não sei como o barco foi desaguar aqui sendo que a gente só queria um amor e Deus parece às vezes se esquecer.
Como eu disse, não sei de muitas coisas. Mas sei que fui feliz durante algum tempo, que living is easy with eyes closed e agora também sei que o tal Maurício Tragtemberg não é administrador e que o Candomblé só aceita negros e que a Trilogia Suja de Havana é realmente muito suja e que eu posso aprender italiano assistindo O Poderoso Chefão ou escutando o cd do Renato Russo e que o amor pode vir no tempo errado, mesmo pra nós.
Mas, apesar de todas as coisas que eu não sei e sei, queria mesmo é só saber como vou fazer pra ficar sem ti, pra me acostumar a não ouvir as musiquinhas e piadas bestas no meio dos filmes, pra não te mandar mensagens bipolares no meio da madrugada, pra aprender a dormir sem usar minha cadela pra me fazer de conchinha e, principalmente, como vou fazer pra não inventar motivos tolos pra te procurar numa tentativa idiota de te fazer perceber que não vive sem mim e que, porra, a gente tem que ficar junto, porque construiremos uma nação e nosso primeiro filho vai chamar Chico.
Por falar nisso, tua escova de dentes ainda está aqui no meu criado-mudo junto com meu livro do Foucault, penso que não podes ficar sem escovar os dentes. Quando vens buscá-la?

14 março, 2011

Da inexorável insatisfação.

Quero um cigarro
um chocolate
um porre
uma oração
um orgasmo
um grito
um esconderijo
uma dor
um amor
um Lexotan
um paradigma
uma trepada
um homem
um motivo
um subterfúgio
uma fuga.



Irritante.Indolor.Inconstante.Irreal.

18 fevereiro, 2011

"E não pensa que eu fui por não te amar..."

"Adeus você
Eu hoje vou pro lado de lá
Eu tô levando tudo de mim
Que é pra não ter razão pra chorar
Vê se te alimenta
E não pensa que eu fui por não te amar

Cuida do teu
Pra que ninguém te jogue no chão
Procure dividir-se em alguém
Procure-me em qualquer confusão
Levanta e te sustenta
E não pensa que eu fui por não te amar

Quero ver você maior, meu bem
Pra que minha vida siga adiante

Adeus você
Não venha mais me negacear
Teu choro não me faz desistir
Teu riso não me faz reclinar
Acalma essa tormenta
E se agüenta, que eu vou pro meu lugar

É bom...
Às vezes se perder
Sem ter porque
Sem ter razão
É um dom...
Saber envaidecer
Por si
Saber mudar de tom

Quero não saber de cor, também
Pra que minha vida siga adiante"

("Adeus você" - Los Hermanos)


Sinto que é chegada a hora.. Aquela que tentamos evitar e por muito tempo adiamos, mas que tanto nos rodeou que finalmente conseguiu estabelecer-se entre nós. Aquele derradeiro momento no qual as palavras já não bastam, os sorrisos não acalmam e os beijos não saram.
Já não somos os mesmos ou nunca fomos aquilo que o pensávamos ser? É difícil dizer, mas sei que essa dependênciacarênciaurgência a qual nos resumimos no momento já não tem mais lugar em minha vida, já dói mais do que afaga.
Não há nada que se possa fazer a não ser deixar o tempo nos mostrar o que poderia ter sido e não foi, mas que, quem sabe um dia, quando formos melhores poderá ser. Quem sabe? No meio de tantas ilusões e esperanças inúteis, por que não ter mais uma?
Minha cabeça lateja agora ao som de melancolia e teclas que não fucioam. Quero mesmo é ir, preciso mesmo ir...tomar um analgésico, mudar de vida, sair de casa, viver, tentar me encontrar, qualquer dessas coisas, mas tenho que ir.
Me procurei em ti, mas não me encontrei. Talvez procurando em mim, eu encontre algo que me lembre daquilo que, um dia, eu quis ser. "Não tenho nada contra decadentes em geral, não tenho nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa".
Adeus você. Guarde um sonho bom pra mim.

24 janeiro, 2011

Menos para quem quer sempre mais...

"Eu sei
Eu sei que não era pra eu ser assim
que eu devia tomar as doses nas horas certas
Eu sei que eu devia dormir boas noites de sono
e que eu devia fumar menos
escovar os dentes com pastas pra gengivas sensíveis
e perambular menos na rua quando todo mundo já foi
e não me jogar tanto quando alguém me abre os braços
e beber menos
e amar menos
eu devia parar


e pensar menos
eu sei que eu devia pensar menos
e falar menos
eu sei que eu devia falar menos
pra viver mais
eu sei que eu devia viver menos
mas eu não sei viver menos"


("Menos" - Porcas Borboletas)

13 janeiro, 2011

"Taí, nosso mais-que-perfeito está desfeito..."

"A passeio pelo mundo
sem saber qual é a rota
vou sem freio
piso fundo
pago à vista cada aposta

a passeio contra o tempo
ao mesmo tempo
sigo mais de mil estradas
adentro rumo ao meu centro
afora tudo me nada

nada no lugar
let it be, deixe estar"

("A passeio"- Porcas Borboletas)



Com um cigarro entre os dedos e fumaça nos pulmões, divago numa esquina qualquer de um bairro qualquer. O vento bate frio e leva a fumaça expirada para longe. Madrugada fria, penso. Se ele estivesse aqui eu poderia estar aquecida, cogito. Prefiro o frio, concluo.
A conversa ao meu lado toma rumos que nem sei, que nem ouço, porque minha mente está ocupada  demais cantando qualquer coisa como "esse samba é pra você, ó meu amor...". E é. Tu...tu eras! E nunca mais será. Tu, que eras presente e futuro, agora é pretérito imperfeito de verbo irregular. E eu, que nunca fui boa em conjugações, guardo-te agora na cartilha do verbo esquecer, porque esse, bem, esse eu já conjuguei tantas vezes que sei de cor.




*Título: Trecho da música "Pois é", de Chico Buarque.

31 agosto, 2010

Silêncio Amoroso I

"Deixa que eu te ame em silêncio.
Não, pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toquem, e as bocas
e a pele
falem seus líquidos desejos.

Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se amor e vida
fossem um discurso
de impronunciáveis emoções."

(Affonso Romano de Sant'Anna)

Ao homem que roubou meus sentidos para si.

19 maio, 2010

"Sempre precisei de um pouco de atenção. Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto..."

Hoje, chutei o balde. Sim, sim, isso mesmo, cansei de tudo. Ah, eu quero mais é que as pessoas venham atrás de mim, não o contrário. E quem não estiver satisfeito que, gentilmente, se retire de minha já atribulada vida, porque de visitantes eu já tenho marcas demais.
Quero moradores agora. Moradores que construam longas ruas em mim, com belas casas e rios lodosos. Já não quero nômades, porque eles não ficam por muito tempo e, quando se vão, só deixam a terra árida, amarga, sem vida.
Danem-se todos vocês que, ao longo dessa minha estrada têm sido demasiado escrotos e egocêntricos a ponto de pensarem ser insubstituíveis. Novidade: não são. Que venham os novas pessoas, novos mundos, novos habitantes dessa alma velha. Que dancem, cantem, pulem, gritem e amem, porque é disso que meus campos precisam para florescer outra vez...




*Título: trecho da música "Teatro dos Vampiros", do Legião Urbana.

27 março, 2010

"Que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi..."

Ê, gente, não falei que eu voltaria? Pois é, depois de pouco mais de um mês ausente, eis que retorno para este blog para escrever novamente. Não que minha criatividade tenha voltado de todo, mas já dá para escrever uma coisinha ou outra.
Infelizmente, o que me fez voltar agora foi um fato que entristeceu e deixou órfãos todos aqueles que apreciam a boa música brasileira. Não, não falo do novo disco do Calypson. Falo do trágico fim da banda pernambucana Cordel do Fogo Encantado.
Sei que a maioria de vocês que os conhecem já deve saber disso, mas é que foi impossível não vir aqui fazer meu post de lamentação, uma vez que o Cordel foi trilha de grande parte da minha vida, esteve presente nas minhas aventuras e desventura, amores e dissabores. Então, simplemente, eis que Lirinha me chega e diz que acabou? Acabou? Como assim? Não pode! Não é assim que as coisas funcionam, não se pode deixar milhares de fãs a ver navios sem, sequer, explicar por quê. É, acaba que pode. Eles puderam.
O que fica em mim é um sentimento de descontentamento, o amargo da ausência travando minha boca, o nó da indignação calando minha voz. Sinto como se tudo que me inspirasse, que fizesse de mim essa tal Antropofágica, fosse aos poucos desaparecendo, levando aquilo que eu pensava ser eu. Músicos, escritores, cineastas, pensadores: tudo vai se desfazendo, morrendo, tornando-se inacreditavelmente anacrônico.
Ah, não! Esse negócio de banda acabar tá virando moda. Eles vão e a gente, irremediavelmente, fica [vide Los Hermanos, GRAM...]. O que se há de fazer além de aceitar passivamente e conformarmo-nos com o que foi deixado pra trás? É difícil pensar que nunca mais verei os olhinhos de Lirinha ora doces, cantando "Aqui" ora enfurecidos em "Pedra e bala" ou então suplicantes, pendindo chuva com "Chover".
Sei o que dizer, não. Só lamentar mesmo, ficar olhando as fotos do primeiro e único show que pude assistir deles e dizer que farão falta. Dentro de mim, agora, o espaço vazio aumentará. Foi inesquecivel e incrivelmente lindo enquanto durou.










*Título: trecho da música Pedaço de mim, de Chico Buarque.

23 fevereiro, 2010

"Vou voltar, sei que ainda vou voltar..."

Recesso por tempo indeterminado. O necessário para eu ter novas letras para dar sem precisar me maltratar tanto para isso. Fico por aqui, apenas como leitora de vocês agora...por enquanto.
Esperem-me. Sou como o Jason: sempre volto.
Até, antropofágicos.




Título: trecho de Sabiá, de Chico Buarque.

07 fevereiro, 2010

"De todas as maneiras que há de amar, nós já nos amamos. Com todas as palavras feitas pra sangrar, já nos cortamos..."

[...]"Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei
Ela falou: - Você tem medo.
Aí eu disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que não devia
Nunca ser dito por ninguém
Ela me disse: - Eu não sei mais o que eu
sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê."
(Ainda é cedo- Legião Urbana)



Nesse momento não sei o que pensar direito, as palavras embaralham-se em minha mente já entorpecida pelo sono, no entanto sei que preciso escrever antes que amanhã eu acorde e já não sinta nada. Incrível essa minha tendência a olvidar teus defeitos, teus erros, tuas omissões e só lembrar das coisas boas, mas dizem que é assim mesmo, que a mente trata de esquecer, bloquear as coisas que te trazem demasiada dor para se proteger. Mas agora essa dor está tão latente em mim que necessito externar.
Por que não me deixas? Se nunca poderemos ficar juntos, se há tantas impossibilidades, tantas dúvidas, tantas incertezas, se já nem gostas de mim, por que não me deixas partir? Solta as unhas do meu coração de uma vez, deixa-me florescer novamente, porque, sempre que começo a brotar, tu me ceifas com uma nova declaração de amor, fazendo-me voltar. E, sempre que volto, me matas com tua indiferença.
Teu sentimento por mim está sendo egoísta e só tem me machucado. Mereço mais que isso. Merecemos. Eu te quero por inteiro, tua essência, teus suspiros, teus olhares, fundir-me a ti, mas me parece que há um muro de Alexandria separando nossos corpos, já dizia Caio Fernando. O 'nós' agora só sobrevive do passado, das lembranças, do que poderia ter sido e não foi, mas ainda sobrevive. Em mim, ao menos. Mas e em ti o que resta de mim, de nós?
Então, diz-me, o que devo fazer agora? Seguir em frente ou esperar que o homem por quem, um dia, me apaixonei retorne? Olhai o sinal, ficou verde...




*Título: trecho da música "De todas as maneiras", de Chico Buarque.

15 janeiro, 2010

"E não compensa entrar na dança depois que a música parou..."

"Agora eu sei o que quero enxergar
Esse colorido não devia mais me enganar
Porque a cor deforma
Quando a luz vem a brilhar
E assim seu olho começo a decifrar

Dai-me outra cor
Que não seja a do seu olhar
Dai-me outro amor
Que venha pra me perpetuar
Dai-me outra cor
Que não tenha o que eu quero enxergar
Dai-me uma dor
Que sirva para eu acordar
Dai-me outra cor, dai-me um amor, dai-me uma dor"[...]

(Duas cores- Mombojó)




Olhava-o dolorosamente, com a ânsia de o absorver, de sugar sua existência para si, de roubar suas palavras, seus olhares, sua respiração. Tentava, em vão, tatuar em sua retina aquele último e fulgaz momento em que os dois falavam do sentimento que um dia os unira e que, agora, inevitavelmente, os separava.
Via os minutos que lhes restavam escorrerem entre os dedos, entre uma hesitação e outra, cada vez mais rápido e, com eles, uma parte de si mesma também se esvaía. Prendia a respiração para conter o já escasso ar em seus pulmões, baixava os olhos para não ser dragada pelos dele, apertava as mãos acreditando que aquela dor se sobreporia à da sua alma sendo rasgada.
Ele insistia em dizer que aquele não era o único jeito de fazerem as coisas, mas ela se limitava a passar as mãos pelo rosto, conformada, e repetir "você nunca vai entender, você nunca vai entender". De fato, ele nunca entenderia, assim como ela também não. Era como se as palavras que soavam fortes e determinadas para ele, lhe soassem estranhas, sem sentido, embaralhadas pelo mesmo vendaval que agora lhe agitava o âmago.
Ela sabia que, se continuassem daquele jeito, fingindo que nada acontecera, que estava tudo superado, com a sensação de "cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim", nunca conseguiria viver plenamente, ser de outra pessoa novamente, pois suas vontades, desejos e sonhos pertenceriam sempre a ele, como os dele pertencem a outrém.
Agora, ela queria ser ela sozinha, queria ser sua, se pertencer e mesmo que isso doesse, ela sabia que não seria tão lancinante quanto a culpa e o sofrimento que, invariavelmente, adviriam dessa reaproximação. Não havia mais espaço para prisões na vida dela, mesmo que as grades fossem o amor.



*Título: trecho da música Perfeita Simetria, do Engenheiros do Hawaii.

09 janeiro, 2010

"Deixe-se acreditar, nada vai ter acontecer, tudo pode ser...Esse é o reino da alegria!"



Meus queridos e amados leitores, não sei se vocês ainda lembram de mim já que faz muito tempo que não venho dar o ar de minha graça aqui, entretanto vocês têm que compreender que até pessoas como eu merecem férias. O post de hoje é especial, post de aniversário. Hoje, completo 19 aninhos. É, eu sei que tenho cara de 15...todo mundo fala isso! =P
Pois é, meus amores, confesso que também não gosto de aniversários, porque eles convergem, inevitavelmente, à auto-análise e confesso que meus atos não foram dos melhores durante esses tempos. Mas, hoje, posso afirmar com precisão, que sou uma pessoa melhor, não o ideal...ah, mas ninguém é perfeito, ora! Eu também não quero ser a nova Madre Tereza mesmo!
Meus conceitos mudaram, minha visão amadureceu, meus dias se tornaram mais felizes e encontrei Deus. E, com Ele, percebi que a felicidade pela qual eu tanto anseio depende muito mais de como vivo do que de ter alguém pra compartilhar essa vida. Sei que nem tudo foram flores, mas tive bons companheiros que me ajudaram a passar pelas pedras, por isso meus sinceros agradecimentos à Ariana (a minha melhor metade), ao Pê (o amigo para toda a vida), ao Welton (que retornou para me ajudar e agora se afasta para permanecer ajudando), ao Antonio (que sempre "me salva da selva") e a Deus que é a quem devo tudo o que tenho e sou.
Sorri, sofri, morri, renasci, cresci...vivi. Não é isso que importa? E que venha mais esse ano o qual, tenho certeza, será de grandes vitórias e alegrias sem fim!
Até a próxima, meus antropofágicos!





*Título: trecho da música Deixe-se acreditar, do Mombojó.

18 dezembro, 2009

"Eu acho que tenho certeza daquilo que eu quero agora, daquilo que mando embora..."

Ê, minhas delicinhas, final de ano chegando novamente e eu aqui, trabalhando igual a uma condenada enquanto meus políticos lindos estão gastando todo o meu já escasso dinheirinho e ainda rezando em cima que é pra abençoar e atrair mais! Ô glória!
É, queridos leitores que me devoram (uuuuiiii!), a situação é periclitante mesmo! Sei que tenho andado ausente, mas é que, no momento, estou impossibilitada de aumentar ou manter minha vida social - não que ela fosse muito significativa antes-, limitando minhas relações sociais a duas pessoas de sanidade, classe e humor dúbios: a afetadíssima e amadíssima Ariana, a qual vocês, provavelmente, já leram lá no Primaveras de Setembro; e ao amor da minha vida, Pê, que está sem blog no momento, mas que pode ser visto na imagem abaixo, demonstrando todo o seu amor por mim (adivinhem de quem é o soutien?). É, vejam só até onde a decadência de uma pessoa pode chegar...é triste, eu sei! Só posso pedir que orem por mim...
Enfim, passei aqui só para exercitar um pouquinho meu lado Dr. House, o qual estava um tanto inativo, e dizer que espero que esse ano vá embora logo, porque, caso contrário, é capaz de piorar ainda mais. Deixo um beijo a todos vocês, boas festas e aproveitem o restinho de 2009, porque ano que vem é ano de enganação eleição, gente, logo a única coisa que não teremos é alegria.
Beijos, crianças, e que venha 2010!







*Título: trecho da música Criado mudo, de O Teatro Mágico.

02 dezembro, 2009

"E essa abstinência uma hora vai passar..."

Talvez amor

Se você já sentiu, deve se lembrar do ímpeto, do súbito momento em que o vento acariciou seu peito de forma agressiva e invasiva e quando o gosto do beijo desejado molhou seus lábios a esperar por sentir.
Quase como uma dor rasgante bradou e ecoou obscessivamente por todo o corpo a se contorcer. Nossa, que amor! Amor? É issó? Ah! Talvez amor...
Se você quis o amor para si, então fez um pedido silencioso, porém incisivo, que o talvez amor fosse eterno.
Se o talvez amor assim o fosse, o céu não teria rasgado e derramado todas as lágrimas que colheu. Mesmo assim, o sertão do coração não floresceu até o dia em que o talvez amor morreu.

Por Rebecca Correa


Uma esperançosa resposta ao triste post da minha Flor, aqui e, por que não, a mim mesma.




*Título: trecho da música Na sua estante, da Pitty.

24 novembro, 2009

"Mentiras sinceras me interessam..."

Tarde de domindo ensolarada. Ariana, Helen e eu indo a um show de uma dessas bandas cover do Los Hermanos, um vez que esses filhosdaputa nos deixaram na mão. Paramos para comprar algumas coisas na bombonière quando Ariana diz:
- Compra uma carteira de Black aí, Jéssica.
- Ei, tu tá doida, é? Pensa que eu tenho dinheiro pra essas coisas?
E eis que, nesse momento, ao escutar o diálogo, um mendigo todo sujo, rasgado e exalando a cachaça vira para mim e, indignado, fala:
- Pooooooooorra, feia e pobre, assim não dá, minha filha.
[Close na minha cara de "what the fuck?"]
- Sim, minha filha, porque você me desculpe, mas você é feeeeeeeiiiiiaaaa - continuou o destruidor de auto estima.
Porra, ele podia, no mínimo, ter sido sutil ou guardado a opinião dele para si em vez de gritar aos quatro cantos de Belém. Eu já não sabia se ria ou chorava quando ele partiu pro ataque novamente, dessa vez com a Helen:
- Tu também é bem feinha, viu?
- Sim...agora pronto...eu mereço!
- Sim, eu tenho culpa de tu ser feia?
- Ah tá, e o senhor é bonito pra caramba, viu? - retruca ela.
- Ah, eu sou quase um Tom Cruise.
Já se pode imaginar a reação que a metáfora provocou na gente, não é? Mas se tudo terminasse aí, com minha auto estima e a da Helen estraçalhadas, seria bom. Mas, não se contentando, após ficar analisando a Ariana da cabeça aos pés, ele parte pro golpe final:
- Égua, mas tu é bonita! Mulher graaaaaande, rapaz! Mas, sabe, acho que eu não aguentava uma mulher dessa toda, não!
E fomos embora rindo da cara da Ariana. É por isso que eu digo: ser feia tem lá suas vantagens também. Ariana que o diga...



Título: trecho da música "Maior abandonado", de Cazuza.

17 novembro, 2009

Estávamos meu irmão e eu assistindo a cena da novela das 8, da Globo (sim, eu sei, eu sou uma vergonha!), em que Aline Moraes, agora tetraplégica [drama mexicano detected], grita, xinga e escorraça seu namorado para fora do quarto de hospital. Indignada, retruco do lado de cá da tela:
- Putaquepariu, vai logo embora e deixa essa merda aí sozinha. Além de chata, não pode mais nem trepar mesmo, que era o principal!
E eis que os bons genes da família se manifestam em meu irmão, que, calmamente, dá sua opinião:
- É, pelo menos ela tem a boca grande, né?

05 novembro, 2009

"Vira, vira, vira homem, vira, vira..."


Como toda semana, na terça fui ao cinema. E eu estava lá, sentada, quieta, esperando o filme começar, até que um cara que era exatamente meu número entra, pára, sorri para mim e senta na cadeira da frente. Ponto pra mim, penso. Trinta segundos depois, uma menina aproveitável [recalque mode on] entra, pára, sorri para mim e senta na cadeira da frente, ao lado dele. Puta que pariu, penso.
Ah, mas também o que eu estava esperando? Que um cara gato daquele fosse assistir sozinho a um filme que tem como título "Te amarei para sempre"? Ah, fala sério, no mínimo, até eu gostaria mais de mulher do que ele! Foi então que percebi que só havia casais na sala, à exceção de mim e de duas meninas, mas vai saber se eram só amigas mesmo? Eu que não ponho minha mão no fogo...
Na quarta fui ao cinema novamente, mas dessa vez assisi a "Matadores de vampiras lésbicas" (é, eu sei, cheguei ao fundo do poço!), afinal, se eu queria ganhar um carinha no cinema, que ele pelo menos gostasse de mulher, porra! Entro, lugar lotado de homens de todos os tipos, cores e sabores (ui!). É hoje, penso. Mas, como a lei de Murphy não falha, foi só a luz apagar para as borboletas começarem a se manifestar pela sala...
Ah, gente, fala sério, quem me conhece ou, ao menos, me lê sabe que não sou nenhum um pouquinho homofóbica, nadinha mesmo, mas putaquepariu, hoje em dia as coisas ficaram difíceis para nós, mulheres: os já poucos homens deixaram de ser opção e viraram concorrência! Não tem Santo Antonio que dê jeito! Sabe, isso só ratifica minha teoria de que deve fazer uns 20 anos que não nasce mais homem em Belém. Ah, assim também é foda...ou melhor, não vai ser foda!¬¬'



*Título: trecho da música O vira, dos Secos & Molhados.

29 outubro, 2009

"Last night she said 'Oh, Baby, I feel so down'..."

Hoje me senti sozinha, solitária. Sensação ingrata essa, de não dividir nada, de não ter ninguém para dividir nada, de não ter, sequer, nada para dividir com ninguém.
Sinto minha síndrome de final de ano aproximar-se novamente, lentamente, sadicamente triunfante. Pensei que esse ano eu não sentiria isso, que os momentos felizes seriam perenes, no entanto me parece que algumas coisas demoram um pouco a mudar e aquela sensação latente e recorrente de "o que fiz de útil esse ano para que minha existência fosse justificada?" dá sinais de que se arrastará por mais um longo final de ano.

...

Alguém tem um Lexotan sobrando aí?




*Título: trecho da música Last nite, do The Strokes.

14 outubro, 2009

"You win, you lose, It's a chance you have to take with love..."

Sou um ser humano movido por extremos, até o muito para mim não é o bastante. Tenho sede de infinito. Eu sou toda exageros e excessos: de amor, de dor, de vida. Intensidades sem as quais não consigo conceber a vida.
A densidade de minha existência me é pesada demais, um fardo e uma bênção entrelaçados por encontros fulgazes e desencontros duradouros. Talvez por isso minha vida sempre gire em torno de paixões, porque tenho necessidade de pessoas, busco-as pois sozinha minha caminhada se torna ainda mais árdua. Ser é sempre bem mais fácil se o somos com alguém.
Até hoje, minhas paixões não foram tão bem sucedidas quanto eu gostaria, quanto eu precisava, mas eu vivi a todas do modo mais intenso possível, jogando-me de cada precipício e isso dá lirismo à existência. Infelizmente, a dor costuma ser mais poética que o amor e eu juro que preferia ser árida a ter tanta poesia triste tatuada pelo corpo.
Mas algumas coisas a gente não escolhe, apenas vive da melhor forma possível. Aquele clichê dito por pseudo-libertários de que devemos nos arrepender do que não fizemos é tudo balela, pretensão disfarçada de desprendimento, pois todos nós, quanto seres livres, temos arrependimentos e escondê-los é tentar ocultar, também, o caráter falho de todos nós.
Hipérbole que sou, cultivo jardins de arrependimentos - sem deixar que os espinhos me machuquem mais, é claro - mas penso terem sido inevitáveis, mesmo hoje: "se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual", já dizia Gessinger...
Sabe, no fim, creio que o que preciso mesmo é aprender a existir sozinha, a ser eu sozinha, a me bastar. Será isso possível?




*Título: trecho da música It's a hard life, do Queen.